Agora é guerra!
- 9 de dez. de 2015
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Por Renato Cardoso (*) Agora não tem mais como dizer que não há uma conspiração contra a permanência de Dilma Rousseff na Presidência. Tudo leva à conclusão de que a carta de Temer foi o "pintar a cara" para a guerra e agora sua mira é mesmo o posto em mãos da presidente. Dilma Rousseff disse: “confio e sempre confiei” no vice-presidente Michel Temer, pois “não tem que desconfiar dele um milímetro”, mas quando lá, já sabia que estava vivendo a condição de alvo de seu vice, ainda em cargo de espera, só aguardando o impeachment que virá, ao que tudo indica. Dilma está com índices baixos, refletindo o caos que país vive. Suas pedaladas fiscais foram uma mentira contábil, o trem-bala e a ferrovia chinesa que uniria o Atlântico ao Pacífico foram delírios palacianos e não está fácil acreditar no que ela diz, que nada sabia sobre os escândalos tendo orgãos públicos como algo e na mira da investigação para, em breve, ser pauta para oferta de sérias denúncias. No parlamento, PMDB e PSDB se juntam e contra a força não há resistência. Os dois partidos juntos, com os aliados que entram de roldão, pronto, só resta a abertura de CEI, jogada à frente por decisão do STF. Enquanto a presidente derramava sua confiança em Michel Temer, estava a caminho do Planalto uma carta do vice-presidente na qual, fugindo ao seu estilo aveludado, disse o seguinte: “Sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã”. Oras, se Temer sempre soube disso, por que sair na vice candidatura na última eleição. Não decidiu lá, mas diz agora, porque o caminho é este, não tem como, ou pegar ou largar, ou assumir o posto ou ter a queda junto, por conta de uma anulação da última eleição. A uma carta de rompimento de Michel Temer é aquele sinal que índios enviam através de fumaça e o vice de fato se pintou para a guerra e tornou-se, ao lado do deputado Eduardo Cunha, o principal estímulo ao impedimento da doutora. Carta como a de Temer é coisa inédita em toda história republicana e faz-nos pensar o que pretende Temer. Sua carta não é uma carta de amor, pois ao alegar, ou para dar consistência, listou fielmente oito episódios em que foi maltratado pela doutora, dentre os quais, aquele episódio em que ela puxou-lhe o tapete depois de pedir-lhe que assumisse a coordenação política do governo, quando Temer não precisava do lugar, mas a manobra poderia ter dado certo, estabilizando o governo. O comissariado do Planalto divulgou uma versão falsa do teor de uma conversa que os dois tiveram, na semana passada. Nela Temer teria oferecido seus préstimos para deter o processo de impedimento. "Era mentira. Seria injusto atribuir todas essas situações à doutora. O bunker petista do Planalto também opera num mundo próprio.", conforme comentou Elio Gaspari, para O Globo. Em agosto último, Temer disse que se fazia necessário buscar “alguém” que tivesse “a capacidade de reunificar a todos”, e foi quando Dilma deu sinais de que a desconfiança tinha início, com relação a seu vice. "Os dois dançaram uma coreografia da enganação, com Temer esclarecendo que fora mal interpretado, e ela aceitando a explicação pois, mais uma vez, a culpa teria sido da imprensa.", complta Gaspari. O processo para que a Câmara vote sua deposição segue o ritual do regimento, e o vice-presidente da República está de olh para assumir a condição de pretendente ao trono. Questão de tempo. (*) Renato cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.





















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