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Michel Temer mostra que está de olho na presidência

  • 6 de dez. de 2015
  • 3 min de leitura

Por Renato Cardoso (*) Michel Temer se recusa a participar de qualquer articulação anti-impeachment, o que nos leva a concluir que a perspectiva de poder tornou-o um personagem paradoxal, pois assegura, nessa fase: “Nesta situação tensa que existe no momento, não quero praticar deslealdade institucional. Isso eu jamais praticaria.”

Será, levando em conta ser ele o grande beneficiário direto do eventual impedimento de Dilma Rousseff? Mais ainda quando o PSDB acena com apoio, o que tem levado Temer a se esquivar de tomar parte dos esforços para barrar o processo contra a presidente. À atitude, há duas alegações: 1) esse tipo de atividade não se insere nas atribuições constitucionais do vice-presidente; 2) como o PMDB está dividido sobre a matéria, não poderia, como presidente da legenda, assumir a posição de um dos lados.

Do nada Michel Temer passa a ser revalorizado, ele que até então estava esquecido em seu gabinete no edifício anexo do Planalto, numa espécie de degredo político. Dilma, por sua vez, não deixa por menos e hoje, sábado, dirigiu ao número dois do governo uma cobrança disfarçada de afago: “Espero integral confiança do Michel Temer e tenho certeza que ele a dará. Conheço o Temer como político, como pessoa e como grande constitucionalista.''

Mas, pensando bem, o número dois, como político, fareja a possibilidade de encerrar uma carreira de três décadas sentado na poltrona de presidente da República e como pessoa, Temer se envaidece com a possibilidade de ascensão. Tudo nos leva a concluir que o que faz agora é nutrir uma preferência por substituir Dilma em vez de ajudá-la. O Michel Temer constitucionalista, enxerga no impeachment uma ferramenta prevista na Constituição, não um golpe.

E enrolou-se na bandeira da “pacificação”, ao invés de ​se alinhar ao esgarçado discurso petista do “nós contra eles”. Para que não o acusem de oportunista, o vice-presidente recorda que vem afirmando há três meses, que o país precisa de alguém capaz de promover uma reunificação.

“Seja sob o império da presidente Dilma ou de qualquer um que chegue ao poder, é preciso reunificar o país”, diz Temer. “Precisamos de uma aboluta pacificação nacional. Todas as mentalidades partidárias deveriam se unir. Seja agora, sob o império da presidente, ou sob qualquer outro império, tem que haver uma coalizão nacional. Até acho que, se a presidente Dilma fizesse essa coalizão nacional com todos os partidos, o país sairia desse embaraço em que se encontra”, completa.

O impedimento não é o único risco que ronda o Palácio do Planalto. “Tem também os processos do TSE, que podem cassar a chapa”, levando a referência às ações que correm no Tribunal Superior Eleitoral, tendo como alvo a chapa de 2014, composta por Dilma e Temer. Em ocorrendo a cassação da chapa, decorrente da denúncia do PSDB, não fica, nem Delma nem o próprio.

Para se sustentar no TSE o vice-presidente se equipa na tese jurídica, segundo a qual as contas de campanha de Dilma e a sua contabilidade eleitoral deveriam ser apreciadas separadamente. Alega-se que as verbas provenientes de propinas, extraídas de negócios com a Petrobras, não chegaram às contas de campanha do vice-presidente. Um considerado rol a levar em conta, enquanto o tempo passa e novos fatos surgem a cada dia, levando ao que de melhor pode ocorrer para ele, Michel Temer: o quanto mais rápido vier o impeachment, tanto melhor. (*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.


 
 
 

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