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Os políticos estão no ar

  • 28 de nov. de 2015
  • 3 min de leitura

Por Zarcillo Barbosa (*) A opinião pública responsabiliza a classe política pelo descalabro em que vive o país, e que afeta todos os setores de atividades. Dilma e Lula caem nas pesquisas destinadas a medir índices de aceitação perante o eleitorado, e contaminam com o desprestígio as lideranças mais conhecidas da oposição. Até a ex-ministra Marina Silva, com o partido novo Rede de Sustentabilidade, está com 50% de rejeição. São seus companheiros de infortúnio o senador Aécio Neves, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). Numa leitura rápida, tudo se consubstancia na descrença do povo naqueles que se propuseram a representá-lo no Executivo e no Legislativo. Há décadas eles não dão conta da tarefa e arrastam o país a uma crise econômica, com inflação à beira dos dois dígitos e crescente desemprego. O único ramo industrial no Brasil, que vai bem, é o da fabricação de bonecos infláveis. Nada a ver com os artificialismos dos sex shops para motivar a libido dos corações solitários. Refiro-me ao famoso Lula Inflado, com roupa de presidiário, também chamado de Pixuleco. É só um deles. A presidenta Dilma já ganhou duas versões, batizadas de Pinóquia e Bandilma. Ambos flutuam sobre os gramados da Explanada dos Ministérios, em Brasília. Em São Paulo, apareceu o Chuchuleco, crítica ao governador Geraldo Alckmin. Para ironizar o prefeito Fernando Haddad, com os seus malabarismos para melhorar a mobilidade urbana, foi criado o Raddard. Nem o secretário da Educação Herman Voorwald escapou de se tornar uma enorme criatura cheia de ar, por causa da reorganização da rede escolar. Em síntese, os grandes personagens políticos do Brasil, hoje, têm 12 metros de altura, pesam uns 150 quilos e têm um custo médio de produção entre 10 mil reais e 20 mil reais. O dono de uma das fábricas fala numa expansão de 25% nos seus negócios, este ano. A empresa foi responsável, também, pela produção dos patos amarelos que a Federação das Indústrias do Estado de S. Paulo (Fiesp) espalha pelo Brasil. Nada mal poder crescer dentro de um cenário econômico tão conturbado. Quando muitos choram, o melhor negócio pode ser vender lenços. A nova febre dos inflados políticos, justifica-se pelo poder de simbolizar o protesto em apenas uma imagem. Começou com uma versão diferente antes do Lula-Pixuleco. Empresários com manifestação programada, encomendaram um elefante branco com a estrela do PT. Esse tipo de alegoria permite variações. Não há limites para a criatividade. A Força Sindical responsabilizou-se por um dragão de três cabeças para protestar contra a inflação, o desemprego e os juros altos na Avenida Paulista. Proliferam os Lulinhas infláveis, vendidos a 20 e 40 reais, levados por manifestantes às galerias da Câmara dos Deputados. No Carnaval, os bonecos infláveis vão ganhar as ruas, aos milhares. Eles têm um peso significativo no processo de desconstrução da imagem pública de políticos, e de políticas onerosas para os contribuintes. Os publicitários ainda estudam se é possível reverter a função do boneco inflável para o marketing a favor. O objeto capaz de liberar tantas paixões deve servir para “inflar” vendas, por exemplo. De uma coisa, porém, eles já se convenceram: será temerário tentar promover novos candidatos com bonecos-gigantes. Eles estariam carimbados com a pecha de coisa negativa. Fica evidente a capacidade dos bonecos de irritar os adversários. Um dos Pixulecos foi atacado em Brasília, a pauladas, pedradas e facadas por militantes ligados ao PT, mas sobreviveu mediante remendos nos buracos abertos pela turba. Por questões de segurança, os bonecos deixaram de utilizar gás hélio, como os balões. Podem pegar fogo. Agora ficam no chão, mas em pé graças a ventilação motorizada. A questão nos remete a algo mais sério. Os nomes mais cogitados para suceder as lideranças atuais, desgastadas pela incompetência ou má-fé, também estão nus – ou no ar. Fala-se em “vazio político”. Nada bom nas democracias imaturas como a nossa, porque abre espaço aos “salvadores da pátria”. Sobra para os aventureiros com seus discursos pseudomoralizadores e populistas. Já vimos esse filme antes.

(*) Zarcilo Barbosa, o autor, é jornalista e articulista do JC


 
 
 

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