Eleição com festa do peão
- Renato Senis Cardoso
- 16 de jan. de 2016
- 5 min de leitura

Nada contra a festa do peão em minha Piratininga e muito ao contrário, sou do mato, ando até hoje a cavalo e aprecio montarias, sendo que por tempos pratiquei enduro equestre e o filho o hipismo rural. Pronto, falei do esporte preferido por 1/3 dos eleitores dos piratininganos que votam e fica claro que os candidatos tudo farão para agradar aos adeptos mais apaixonados e até mesmo os profissionais, que fazem da prática de montarias e provas de baliza e tembor o seu meio de vida. Isso se chama marketing político que é um segmento específico dentro da comunicação mercadológica voltada para o ambiente político e ou eleitoral, que visa estreitar a relação de expectativa de um determinado grupo de pessoas em relação às questões que envolvem seu cotidiano e a materialização da mesma em um candidato, um governo, um partido ou um grupo político.
O Marketing eleitoral refere-se às técnicas que visam tornar um candidato a cargo público conhecido e aceito no período eleitoral, através de suas propostas e projetos. Em síntese, trata de Estudo e Ação de mercado, utilizado para segmentar grupos sociais, desejos e anseios da população, desenvolvendo sintonia entre aquilo que o político deseja fazer e o seu público-alvo espera, necessita (pesquisas). Já a Propaganda Política é uma das ferramentas de comunicação utilizadas em uma estratégia de Marketing Político e/ou Eleitoral. Como boa estrategista e assessorada por companheiros hábeis nessas questões, a gestão municipal consegue convencer grande parte da sociedade, principalmente os mais ignorantes e ingênuos, por meio de um marketing bem sucedido e altamente especializado, fazendo o casamento entre duas instâncias irreconciliáveis: Empresa e Estado. Uma preza pelo individual e o outro pelo social. Isso é o seu principal diferencial, enquanto mecanismo político. Difere-se dos tradicionais políticos somente pelos meios utilizados, mas os fins são os mesmos. E conseguiu e consegue atrair eficazmente a simpatia de um povo não acostumado com essas inovações arrebatadoras. A grande preocupação com a estética e o design é a própria voz do capitalismo para convencer e iludir os consumidores pelos olhares, vaidades e cobiça inerentes à sua natureza humana. Nossa cidade está embelezada e nutrida por uma impecável propaganda dos serviços públicos, subsidiada por números e estatísticas (o discurso capitalista se apoia em números, por parecerem argumentos irrefutáveis, convincentes e positivistas). Ao nos deparamos com a realidade da educação, vivenciamos um sonho meio realidade e meio pesadelo que até nos confunde, pois as ideias não correspondem aos fatos. Mas a sociedade pode até nos chamar de mentirosos, ingratos e profanos. Até nisso o marketing procura ser impecável e inquestionável para rechaçar quaisquer argumentos, uma vez que a sociedade fica iludida com a aparência e não sente a dilaceração da consciência, pois é impedida eficazmente de exercer sua autorreflexão.
Bem sabemos que quanto mais os pais se ausentarem da escola, mais eficaz será o projeto destrutivo, que precariza as relações humanas e as condições de trabalho. Não é interesse da gestão agradar o servidor público, mas agradar a sociedade, numa tentativa de colocar um contra o outro e conseguir aprovação popular da maioria. O que a população não sabe é que o processo de emancipação do nosso meio deve estar atrás da emancipação do ser humano. Mas, no caso de Piratininga e outros municípios mais, acontece o oposto. É entristecedor ver que, à medida em que a cidade abre espaço para que certa parcela da população se sinta satisfeita por quatro ou cinco dias de festa, o cidadão como um todo é explorado e escravizado satisfatoriamente como se estivesse anestesiado pelo vislumbre de uma magia que destrói sua dignidade e sua identidade silenciosamente. Os tradicionais políticos pelos meios utilizados, vão na direção de que os fins são os mesmos e está no custo de eventos que agradam eleitores a prova de tal, indo na contra-mão da necessidade imperiosa que agasalha maior parte da população, incluindo crianças e idosos, que precisam de escola, esporte, lazer, cultura e, quanto aos velhos, melhor assistência médico-hospitalar e até mesmo um espaço para passar os dias finais de sua vida. Pelo marketing político, no caso com ênfase às festas do peão, o poder público consegue atrair eficazmente a simpatia de um povo já acostumado com essas inovações arrebatadoras, porém na condição de coniventes e na mão contrária da real necessidade de nossa Piratininga. Os políticos têm as contas na cabeça, na ponta do lápis e sabem quantos representam o circo e quantos precisam do serviço e assistência da administração... quantas crianças precisam de escola e de ocupação, para que fiquem distantes dos assédios de criminósos e tendo em mãos as drogas a oferecer e promover o vício que vai na direção do próprio tráfico, a partir da chamada condição de "mula", ou seja, o simples entregador, enquanto os que comandam ficam distantes do poder policial. A mais dura realidade, convenhamos, mas está em Piratininga, Bauru, São Manoel, São Paulo, Rio de Janeiro, Miami e Londres, além do mundo todo. O marketing procura ser impecável e inquestionável para rechaçar quaisquer argumentos, uma vez que a sociedade fica iludida com a aparência e não sente a dilaceração da consciência, pois é impedida eficazmente de exercer sua autorreflexão. Dito isso, começamos a chamar a atenção de uma população mais esclarecida quanto à triste realidade, para que todos somemos no sentido de conduzir aos cargos públicos pessoas com reconhecida moral, comportamento ilibado e com atestado de antecedência digno de se postarem na condição de quem pleita um cargo administrativo. Ao nos omitirmos, deixarmos de discutir política, nos envolvermos com a política, de certa forma estamos levando ao mundo das drogas um filho, um neto, o filho de um vizinho, um sobrinho, um ente querido e, mais ainda, o filho de um pobre que não tem estudo e não consegue chegar ao ponto que lhe cabe no compartilhamento do mesmo espaço que por acaso vem a ser nossa cidade. Oras, se somos no máximo 15 mil, sendo que 34% representados por crianças até 14 anos e 29% po idosos com mais de 60 anos, temos o foco nítido e de olho nele precisamos partir para a ação. Fácil entreter os idosos e dar a eles a missão de cuidar das crianças... questão de como conduzir isso e está no aspecto uma das responsabilidades do prefeito e secretários e, ao contrário, não temos em nossa cidade um esporte saudável e bem conduzido, um lazer que identifica quem pode ser um pintor, um Pelé. um Michael Jackson ou mesmo um pedreiro com perfeição no labor do ofício.
O que de mais grave vemos no marketing em nossa cidade, é o marketing do lençol, ou do cobertor mais grosso, pois procura-se esconder a mais triste realidade ao se levar ao lixo um exemplar de um jornal que faz a delação de um fato grave, não visto pelas autoridades, ou por elas proporcionado, de caso pensado. Mais, elimina-se de um grupo de discussão política, de forma aleatória, qualquer piratiningano que aponte os erros da administração, as falhas dos vereadores e até mesmo a omissão da políticia e chegando à justiça. Cabe a todos nós pensarmos em sinergia e se todos na direção de fazermos uma Piratininga melhor, chegaremos lá e o resultado fatalmente se dará por uma sociedade mais justa, mais igualitária e com todos com direito aos serviços públicos e com o atendimento dentro do máximo de limite do poder público. Oras, enganar o povo com uma festa do peão, só porque ao partir para tal estão garantidos com um terço dos votos para a definitiva eleição, é "tapar o sol com a peneira", pois os mesmos que batem palmas ao Colaçao, quando adentra com o Rallye J.O., por enquanto o cavalo mais belo de Piratininga, no mês seguinte precisa de uma internação para si, para o pai, mãe ou irmão. Pergunta-se, encerrando: encontram o melhor serviço em nosso tímido hospital?
(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito. Voltar para a página inicial do site e saber mais sobre Piratininga.
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