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Adeus à nossa Banda Municipal

  • Foto do escritor: Renato Senis Cardoso
    Renato Senis Cardoso
  • 4 de nov. de 2015
  • 3 min de leitura

Como era bom tocar no coreto da praça, mesmo que executando uma caixa do setor de percursão de nossa banda musical, à época tendo como maestro o Sr. Joaqnim Borsato e grande arranjador José Inácio, carinhosamente chamado de José Cego, pois de fato não enxergava, como nós todos, mas tinha um ouvido que compensava e chega-se a imaginar que ele enxergava pelos ouvidos igual a um Choppin, Bethoven e outros gênios da música. Grande parte dos hinos executados por nossa banda era de sua autoria e para as composições, a presença de quem sabia pauta musical e ele, de memória, ditando: fá maior, fá com passagem, sol maior e assim por diante. Ele ditava a pauta. Fatos como este fazem parte da história da banda municipal, que por anos teve local de ensaio o sub-solo da prefeitura municipal. Presença sempre marcante das famílias Escudeiro e Gasparelo, daí a denominação de Banda Musical Izidoro Gasparello, de Piratininga. Uma linda história e quanta animação na mesma praça, com os mesmos bancos, as mesmas flores, os mesmos jardins e adultos e crianças em volta, curtindo aquele som espetacular e alguns até dançando, em razão de tanta alegria que nossa banda proporcionava. Eu toquei por alguns anos na banda, um simples instrumento de percursão (caixa), mas vivi as emoções dos músicos mais que especiais, como Nico, Waldemar Escudeiro, Carlinhos (seu sobrinho), Joanim Borsato com seu filho Walnei e alguns outros. Belos tempos, velhos dias. Pois não é que depois de mais de 100 anos nossa banda silencia e por conta da associação não preencher os requisitos exigidos pela lei municipal 1.3019/2014. Mas a cidade, que tem tradição com bandas, também perdeu a banda da Legião Mirim, que formava músicos para a banda Gasparello. O argumento é que havia pouca procura e que os investimentos foram direcionados para cursos profissionalizantes.

"Música não dá dinheiro, com raras exceções, e por isso é deixada em segundo plano no Brasil", argumenta uma autoridade da cidade. Mas levemos em conta que há países que contemplam as crianças com o ensinamento na escola a fim de que elas tenham disciplina e ouvido pronto para ouvir boas músicas, o que não ocorre na maioria dos municípios brasileiros. Sensibilidade não é matéria de interesse geral, quase sempre a prioridade é o trabalho em detrimento da música.

Norton Ferreira de Souza, trombetista da banda Gasparello, que já foi regente da banda La Salle, de Botucatu, ressalta que música não é só cultura. “É formação de caráter, disciplina, assim como o esporte. O aprendizado de música na escola é tão importante quanto as demais matérias,” diz.

Tantas bandas estão encerrando suas atividades, daí o lamento: “Eu me sinto lesado. A banda La Salle, de Botucatu, encerrou suas atividades no ano passado. Ela foi campeã paulista, tocamos em Brasília no desfile da Independência dois ou três anos seguidos. Como músico, me sinto mal, gosto de tocar.”

Ricardo da Silva, vereador e maestro de Piratininga, frisa que as bandas do Liceu Noroeste de Bauru e Veritas, além de algumas na Capital, também encerraram suas atividades. “Bandas conhecidas nacionalmente pararam. A banda do Liceu Noroeste era um cartão postal de Bauru. Fico triste com esse cenário cultural.” Mas não sabe ele que o Liceu Noroeste volta com tudo com sua banda, pois pela importância sob o ponto de vista marketing, há um lucro que não pode ser mensurado por reais e sim pela ocupação de crianças e jovens e faltam-lhes ainda o esporte e o lazer, para que sejam distanciados dos perigos que ora temos em todos os cantos da cidade. A prefeitura alega que não tem como pagar a subvenção de R$ 60 mil por ano, sem que a agremiação preencha os requisitos exigidos na lei. O maestro e vereador Ricardo da Silva diz que providências estão sendo tomadas a fim de declarar a banda de utilidade pública. De acordo com ele, "toda a documentação já está em andamento". Há que se culpar os dirigentes da banda, também, pois os músicos ainda estão recebendo os papéis para serem assinados, para que se dê andamento ao processo que tem como objetivo tornar nossa banda municipal de utilidade pública. O vereador e maestro diz que até o final do ano a subvenção voltará a ser paga, mas a prefeitura informa que não tem prazo para voltar a fazer o pagamento. Na cidade o comentário é um só, de suma enrolação, com músicos sendo proibidos de falar com jornalistas sobre o tema e a população com medo de tocar no assunto e sabe-se lá por quais razões. Um cidadão que pede para não ser identificado, acha que a banda acabou porque o maestro se envolveu com a política. “Ele é vereador e deixou a banda de lado. A população sente falta, mas vai fazer o quê?”. (*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.

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© 2015, por Renato Cardoso, orgulhosamente criado com Wix.com

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